Como diz o ditado “santo de casa não faz milagres”, estávamos a mais de um ano falando sobre a subida ao Pico do Jaraguá em Caraguatatuba (não tô falando do famoso pico de São Paulo) que fica literalmente no quintal de nossa casa. Talvez, justamente pela facilidade em acessá-lo, nunca havíamos realmente efetivado o ataque ao pico.
Aproveitando a agradável visita de nosso amigo Jeff Supertramp tínhamos a intenção de conhecer a Cachoeira da Água Branca em Ubatuba, mas a chuva torrencial da véspera levou à desistência da idéia nos deixando sem rumo. Lá pelas 10 da manhã de sexta, dia ensolarado e sem nenhuma nuvem no céu (quase um milagre) trocamos uma ligação “- Bora pro Jaraguá?” e a complexa resposta “- Bora!” veio de imediato. Pegamos (Ederson, Jeff e Renan) as mochilas e em menos de 20 minutos estávamos no pé do pico.
A subida inicia-se atrás do campinho no bairro Jardim Jaqueira (atrás da Rodoviária) em Caraguá, junto a uma torre de alta tensão. Aliás, essa era a única informação que tínhamos sobre a subida.
O princípio da subida é em meio a um descampado, que possui vários acessos ao mato de entrada da trilha, fomos meio a rumo tentando adivinhar qual é a entrada correta. Não preciso dizer que a trilha toda é subindo, mas está muito bem demarcada até algumas nascentes onde é realizado o controle de mosquitos pela SUCEN.
Existem alguns entroncamentos pelo caminho, mas procuramos usar o bom senso e seguir sempre para cima. A única errada foi justamente em uma trilha promissora que terminou em uma nascente junto a algumas placas de identificação da SUCEN.
Retornando uns 20 metros encontramos a trilha correta. Nesse ponto começaram os problemas, a samambaia e os bambús fecharam boa parte da trilha, tivemos que ir no olhômetro, facãozômetro e no osso do peito (mas, ao contrário de nosso amigo Lex, o peito estava devidamente vestido ehehe).
Em 2h10m de caminhada estávamos no cume apreciando a vistas parciais de Caraguatatuba e da Serra do Mar. Como a mata no pico é bastante densa, não conseguimos uma vista mais ampla como a vista do Morro Santo Antônio, nessa mesma cidade. Mas mesmo assim valeu a subida, o caminho é muito gostoso e tranquilo.
Na descida tivemos uns pequenos deslizes pois, como já dito, tivemos que abrir a trilha em meio as samambaias e bambús, mas graças ao GPS voltamos rapidamente à trilha de subida.
Para quem subir sem GPS tome muito cuidado na descida pois subindo é mais fácil se localizar (sempre para cima) já descendo, temos várias opções de caminhos e a grande maioria não dá em lugar nenhum.
Algumas dicas úteis a quem quiser encarar a empreitada: leve um facão, use calças e preferencialmente blusa de manga longa (o Jeff ralou todo o braço e rasgou a calça em algumas plantas espinhentas), preste muuuita antenção principalmente na descida para não perder a trilha.
Abraços,
Até a próxima!
















































Parque Nacional do Caparaó – Parte 1 (Preparação e Treinamento para Altitude)
De 11 a 17 de Julho faremos o ataque (entre outras aventuras) aos Picos da Bandeira, do Calçado e do Cristal no Parque Nacional do Caparaó (localizado na divisa entre os estados do Espírito Santo e Minas Gerais) e, por isso, decidimos fazer este primeiro post sobre informações úteis sobre a Preparação e Treinamento para enfrentar a altitude que, neste caso, chega a 2.891,98m.
Primeiro vamos compreender um pouco mais sobre os efeitos da altitude.
Acima dos 2.000 metros nosso organismo começa a sentir as conseqüências da diminuição da pressão barométrica – principalmente sobre o sistema respiratório – e isso ocorre porque quanto maior for a altitude menor será a quantidade de moléculas disponíveis de oxigênio – o chamado ar rarefeito – que, além do sensível desconforto físico, acarreta também algumas alterações importantes no ambiente como queda de temperatura e de umidade e aumento da radiação solar (daí os freqüentes acidentes com queimaduras solares em alta montanha).
Logo, podemos relacionar aqui dois fatores que comprometem a integridade física dos que se aventuram nas alturas: No caso da temperatura, o nosso organismo tem de gerir o fluxo sanguíneo de forma a conseguir levar sangue a todas as regiões do corpo, mantendo o calor e ao mesmo tempo o trabalho muscular e, a diminuição da umidade do ar agrava essa situação porque provoca um aumento da desidratação que dificulta ainda mais a manutenção da temperatura corporal e o abastecimento das células – diminuição do volume sanguíneo e aumento da viscosidade sanguínea que dificulta a irrigação, em especial nas extremidades. Com isso, as células podem deixar de receber o oxigênio e nutrientes necessários, o que facilita o surgimento de congelamentos.
Mas como prevenir tudo isso: Adaptação Ambiental.
O ser humano tem uma forte capacidade de adaptação a novos ambientes – daí, por exemplo, o aumento automático de hemoglobinas no sangue nas grandes altitudes. Mas não podemos deixar tudo nas mãos de nosso organismo, temos que dar uma “força” para ele através de uma preparação adequada e bem planejada, que envolve desde a alimentação à pratica de exercícios aeróbios que estimulam a função dos sistemas cardiorrespiratório e vascular. Agora vamos finalmente falar desta preparação.
Como é sabido, cada ser humano é único e, portanto, para cada um deve haver um planejamento diferenciado e específico (daí a importância do acompanhamento de um profissional da área – como foi nosso caso com a ajuda da @carolemboava), mas vamos descrever um programa de treinamento baseado em corridas (adaptável) de quatro semanas que engloba, de maneira bem ampla, o mais variado número de pessoas.
Importante: Lembrando que antes e depois de qualquer atividade física é necessário fazer um bom alongamento.
1ª e 2ª Semanas
Dias
Sessões de Treino
SEG
30′ Corrida Leve¹
TER
Descanso
QUA
30′ Corrida Leve¹
QUI
Descanso
SEX
30′ a 40′ Corrida Leve¹
SAB
Descanso
DOM
Descanso
3ª Semana
Dias
Sessões de Treino
SEG
30′ a 40’ Corrida Leve¹
TER
Descanso
QUA
30′ a 40’ Corrida Leve¹
QUI
Descanso
SEX
30′ a 40’ Corrida Leve¹
SAB
60′ a 120′ Marcha²
DOM
Descanso
4ª Semana
Dias
Sessão de Treino
SEG
40′ a 50′ Corrida Leve¹
TER
40′ Corrida Leve¹
QUA
60′ a 120′ Marcha²
QUI
Descanso
SEX
60′ a 120′ Marcha²
SAB
40′ Corrida Leve¹
DOM
Descanso
Corrida Leve¹ – Com ou sem inclinação leve e freqüência cardíaca de 160 a 170bpm.
Marcha² – Com carga adicional (mochila) e inclinação leve a moderada e freqüência cardíaca de 130 a 140bpm.
Enfim, com disse, este é apenas um exemplo de preparação e o melhor é que, graças ao seu nível tranquilo, pode facilmente tornar-se uma boa rotina. Que tal?
É isso aí. Em breve o post desta tão aguardada semana no Parque Nacional do Caparaó.
Grandes aventuras à todos!
@jeffsupertramp