Trilha do Bonete – Ilhabela – SP

Travessia da Balsa - Ilhabela - @jeffsupertramp@jeffsupertramp: Partimos de Caraguá com destino à Ilhabela às 07h da manhã de sábado. Para isso pegamos um ônibus (R$ 3,10, 40min) que nos levou até a balsa em São Sebastião. A travessia da balsa é gratuita para pedestres. Já na Ilha, andamos cerca de 200 metros para embarcar em outro ônibus, agora para Borrifos (R$ 2,50, 30 min) e descemos no ponto final.

Após alguns minutos de caminhada leve, chegamos ao portal do Parque Estadual da Ilhabela.

Trilha do Bonete
A partir deste ponto basta seguir em frente, colocando, de forma literal, o pé na estrada (a trilha segue em sua totalidade por uma via que, ao ser construída na década de 1980, ligaria Sepituba à Bonete, entretanto a topologia acidentada somada a um projeto falho impossibilitou seu uso.)
A trilha, ao longo dos seus 13 km, passa por vários pontos de água, incluindo dois rios (Cachoeira da Lage e Areado) em que será inevitável tirar os boots e subir as mochilas. (Vai aqui uma dica importante: os moradores ressaltam que, após fortes chuvas, sua travessia fica seriamente comprometida.)

Trilha do BoneteTrekking do Bonete - IlhabelaCachoeira da Laje - IlhabelaCachoeira - Trilha do Bonete
Antes disso, decidimos pegar um atalho para ganhar 1km de caminhada e fomos contemplados pela visão privilegiada do Restaurante da Lage e para dar um mergulho na Cachoeira da Lage, onde os tão famosos e onipresentes borrachudos de Ilhabela começaram a dar as caras.

Jeff e Maurício - Trilha do BoneteSeguindo em frente (ou de volta pra estrada) passamos a dividir a trilha com o Maurício, que encontramos seguindo sozinho pelo mesmo caminho.
Como a trilha possui várias subidas íngremes o organismo não tardou a mostrar quem é que manda, punindo os adeptos do ócio com câimbras e desconforto muscular. Ainda assim, seguimos num bom ritmo e, após cerca de 4h, concluímos a trilha e avistamos a magnífica Praia do Bonete.

Praia do Bonete - Ilhabela Com uma atmosfera bucólica, onde o tempo e a ‘ação’ externa parecem não ter influência, a Praia do Bonete preserva o estilo de vida de uma comunidade de pescadores em harmonia com o ambiente.

GPS - TracklogApós ter o imenso prazer de tirar os boots e mergulhar os pés nas fofas areias da orla, fomos até a sombra de um dos poucos quiosques da praia para, a convite (muito bem vindo) do Maurício, tomar uma deliciosa cervejinha… afinal, ninguém é de ferro rs.
Enquanto curtíamos nuestra cerveza o Maurício barganhava sua volta de barco com um dos pescadores locais, o que acabou para ele não saindo assim tão em conta.
Com o anoitecer dando as caras começamos a cogitar onde iríamos acampar, após conhecer os dois campings do local, optamos pelo já recomendado “Camping do Eugênio” e também para assim ajudar a própria comunidade.

Camping do Sr. EugênioKampasBootsCozinha do Camping

Fomos muito bem acolhidos pela Sra. Denorah e rapidamente montamos as Kampas e fomos preparar o jantar.
Com o cansaço, rapidamente capotamos sob o som do gerador que ilumina a comunidade ao fundo.

Por volta das 23h horas fomos acordados por um som que lembrava fortes ondas se quebrando e que dava a sensação de que o mundo estava se acabando em chuvas. Porém, ao abrir os olhos tudo ficou claro (apesar do escuro rs), vento, muito vento. As Kampas aguentaram bem, porém o que pegou (e diferenciou) foi a questão da cobertura delas. Enquanto uma estava com o conjunto completo (com ‘Tarp Oca’ e ‘Bug Stop’) que se mostrou bem estruturada, a outra estava só com uma lona de polietileno de 2×3m que, apesar de aguentar o tranco, fazia barulhos horríveis, potencializando a tal sensação de “o vento vai me levar embora”. Mas obviamente nada disso aconteceu e, após nos adaptarmos, o sono voltou.
Uma vantagem deste vento foi que a noite toda se passou sem que nenhum mosquito desse as caras também por lá.

Por falar nisso, ao longo de todo o final de semana, não vimos nenhum mosquito (pernilongo) pela ilha. Porém, os borrachudos estavam lá cercando nossas canelas a todo instante. O uso de repelente (Off em creme e spray ajuda, mas não elimina o ataque dos alados. O que acabamos notando, ao conjecturar sobre como os moradores locais suportavam tais ataques, foi que eles costumam usar meias (com chinelo) para suas idas à orla. Coisa que até chegamos a fazer, porém após os ataques.

Praia do Bonete - Ilhabela Com o amanhecer, sob um Sol magnífico, preparamos um Mate e fomos conhecer com mais calma a praia e a vila, além de esperar a chegada do Renan, prevista para as 12h.
Cadelinha Guia do Bonete Acompanhados por uma excelente e super atenciosa guia, seguimos por uma pequena trilha que começa no lado direito da praia e que dá a volta por trás de toda a vila até a Cachoeira do Poço Fundo que tem em contrapartida à sua exuberante beleza, uma quantidade surreal de borrachudos. Toda a volta pela vila, em ritmo de passeio, durou cerca de 1h30 e, por volta das 09h já estávamos retornando ao camping e descobrindo que nosso amigo que chegaria às 12h já havia chegado à tempos.

Cadelinha Guia

@renancavichi: No domingo, parti as 7:30h de Caraguatatuba o e optei por chegar cedo ao Bonete embarcando de carona em uma das lanchas que parte de São Sebastião (Tebar)  e faz o translado direto até a praia.

O passeio de barco pela costa sul da Ilhabela é fascinante, grutas e diversas formações rochosas da costeira compõem o visual. O tempo do trajeto até o Bonete gira em torno de 1h de lancha e 2h de canoa. Quem pretende ir de barco deve agendar com antecedência com os barqueiros.

Valores:
Lancha: R$ 50,00 (ida) – Beto: 12 – 9150-1044
Canoa: R$ 35,00 (ida)

Trilha Praia das AnchovasChegando à praia encontrei o camping onde os amigos já estavam instalados, deixei os equipamentos, saquei a câmera e fui ao ataque da praia das Anchovas, onde imaginava encontrar os aventureiros (lembrando que não há sinal de celular no bonete).

A trilha para a praia das Anchovas, assim como a trilha do Bonete, é bem aberta e de fácil acesso. No meio do trajeto um ponto de água para se refrescar. Depois de 50 minutos é possível avistar a belíssima praia, com um visual peculiar da formação de pedras que abraça a bacia.

Praia das Anchovas

Chegando à praia encontrei um pescador próximo a uma choupana que me informou em um tom nenhum pouco amistoso (diferente da recepção cordial dos moradores da praia do Bonete) não ter visto ninguém passar pela praia naquela manhã.

Renan Cavichi - Praia do BoneteDe volta ao bonete encontrei a dupla no camping onde já preparavam um belo almoço com direito a ovos mexidos com queijo parmesão e pequenos pedaços de salaminho (vamos ficar devendo a foto! Quem é que iria pensar em câmera em uma hora dessas :D ) fizemos um ataque ao morro que fica ao lado da praia (caminho para praia das Anchovas). A vista do morro é fantástica, um visual privilegiado do Bonete à direita, a imensidão do Atlântico à frente e a costa sul da Ilhabela à esquerda. Como se não bastasse o paraíso tomamos uma água de coco apanhado na hora. (Dica: o bastão de caminhada sem ponteira é um ótimo abridor de coco! Já quem não esquece o canivete não precisa se preocupar com essa técnica)

Costa Sul da Ilhabela - Praia do BoneteCosteira - BoneteJeff Apanhando CocoCosta Sul da Ilhabela

Enquanto estava distraído tirando algumas fotos, Jeff e Ederson avistaram por duas vezes uma baleia que lançava seu jato de água na superfície. Confesso que fiquei em dúvida suspeitando ser um golfinho, mas os pescadores confirmaram a presença de baleias na região.

Canoas do Bonete

De volta à praia, depois de cortar caminho pela descida que sai próximo às canoas, conhecemos a “Praça da Conversa Mole”, um cantinho acolhedor da praia em meio aos chapéus de sol que por décadas já escutaram os causos de pescadores da região.

Praça da Conversa MolePraia do BonetePôr do sol no BoneteJeff - Light Painting

Depois de curtir um pôr do sol magnífico, aproveitamos a noite para brincadeiras com a técnica de Light Painting de fotografia, que valeram boas risadas. Para fechar o dia, uma bela feijoada (desidratada de forma artesanal pelo nosso amigo prof. pardal Ederson).

Amanhecer - Costa Sul da IlhabelaNa manhã seguinte, aproveitando a volta de uma canoeiro, resolvemos embarcar. Com o dia amanhecendo, o visual da costa sul da Ilhabela ganha cores fantásticas. E dessa forma nos despedimos do bonete.

Volta de Canoa

Até a próxima!

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Planejamento de Cardápio para Trilhas

Quando pensamos em uma viagem, trilha, travessia, etc… tão importante quanto o planejamento do destino, treinamento, atividades diárias é o planejamento de cardápio. Ainda mais quando toda a alimentação depende somente de você.

frutas secas

Café-da-manhã, almoço (ou pequenos lanches durante o dia), jantar… tudo deverá ser levado dentro de sua mochila e somente de você dependerá a compra e preparação das refeições. Pra mim, a dica mais importante é sempre optar por alimentos que você goste e esteja acostumado a consumir em casa. Pois se você não gosta de miojo em casa, não será depois de 10h de trilha, faminto e cansado que passará a gostar.

Há quem prefira dividir os dias da viagem em saquinhos, outros que colocam tudo numa sacola grande e escolhem por dia o que vão comer. Já fiz dos dois jeitos e por experiência própria recomendo que quando a viagem passar de quatro dias essa separação seja feita por dias, pois assim fica mais fácil visualizar a quantidade a levar, sem que você passe fome ou carregue quilos a mais nas costas.

saquinhos separados por dia de trilha

Na nossa última viagem de 6 dias ao Parque Nacional do Caparaó fotografei alguns passos dessa preparação. Dessa vez tivemos um relativo conforto, pois contratamos mulas para levar nossas cargueiras montanha acima no primeiro dia e ficamos num alojamento, onde toda a carga ficava guardada e caminhávamos somente com uma mochila pequena com água e lanches. Pudemos assim levar um peso maior e alguns luxos.

A refeição que mais precisou de cuidado foi o lanche, que era o que comíamos durante as trilhas. O primeiro passo foi etiquetar os saquinhos com os dias e atividades programadas. Assim, sabia que em dias de trilha mais pesada deveria levar um lanche mais reforçado.

Para cada dia, com pequenas mudanças na quantidade, eu levei: um pacotinho com 4 fatias de pão sírio, 1 patê de atum em embalagem de alumínio, 1 saquinho de suco em pó, 3 barras de cereal, 1 barra de proteína, 3 sachês de carboidrato em gel, 1 caixinha de geléia de mocotó (que eu adoooro!), 1 saquinho com frutas secas (castanha de cajú, castanha do pará, amêndoas e alguns quadradinhos de chocolate amargo picado), 1 energético líquido (6 Energy Shot®) e 1 barra pequena de chocolate. Claro que em alguns dias sobraram pequenos lanches, como as frutas secas ou barrinhas de cereal, por isso é importante deixá-los sempre em bolsos de fácil acesso, seja na mochila ou nas roupas.

lanche diário

Outro saquinho foi etiquetado com “Café da manhã”, onde separei por dia uma mistura de capuccino em pó + leite em pó, bolachas amanteigadas, queijo Polenguinho® e mais algumas fatias de pão sírio.

capuccino e pao sirio

Para o jantar, a principal refeição do dia, optamos por comida liofilizada da Liofoods, que são extremamente leves e de fácil preparo, precisando apenas adicionar água para ficar prontas e ainda assim mantém o seu valor nutricional.

Sem esquecer é claro de alguns petiscos para antes da refeição, como um bom salaminho, que estava presente em todas as mochilas. Sucos em pó e algumas sobremesas também fizeram parte do nosso cardápio. Como o Creminuto, da Dr.Oetker®, que necessita somente de 300ml de leite gelado para ficar pronto. Separei num saquinho a mistura da embalagem + 3 colheres de sopa de leite em pó. Assim, na hora do preparo foi só adicionar a água.

Creminuto

Boas aventuras e bom apetite!

Esse post não tem como intenção a propaganda de qualquer marca ou produto nele mencionado.  Todos os produtos e nomes de empresas aqui mencionados são marcas registradas e à eles estão reservados todos os direitos de propriedade. Temos o objetivo apenas de informação de produtos no mercado que atendam às nossas necessidades de mochileiros.

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Parque Nacional do Caparaó – Parte 1 (Preparação e Treinamento para Altitude)

De 11 a 17 de Julho faremos o ataque (entre outras aventuras) aos Picos da Bandeira, do Calçado e do Cristal no Parque Nacional do Caparaó (localizado na divisa entre os estados do Espírito Santo e Minas Gerais) e, por isso, decidimos fazer este primeiro post sobre informações úteis sobre a Preparação e Treinamento para enfrentar a altitude que, neste caso, chega a 2.891,98m.

Primeiro vamos compreender um pouco mais sobre os efeitos da altitude.

Acima dos 2.000 metros nosso organismo começa a sentir as conseqüências da diminuição da pressão barométrica – principalmente sobre o sistema respiratório – e isso ocorre porque quanto maior for a altitude menor será a quantidade de moléculas disponíveis de oxigênio – o chamado ar rarefeito – que, além do sensível desconforto físico, acarreta também algumas alterações importantes no ambiente como queda de temperatura e de umidade e aumento da radiação solar (daí os freqüentes acidentes com queimaduras solares em alta montanha).info_altitude

Logo, podemos relacionar aqui dois fatores que comprometem a integridade física dos que se aventuram nas alturas: No caso da temperatura, o nosso organismo tem de gerir o fluxo sanguíneo de forma a conseguir levar sangue a todas as regiões do corpo, mantendo o calor e ao mesmo tempo o trabalho muscular e, a diminuição da umidade do ar agrava essa situação porque provoca um aumento da desidratação que dificulta ainda mais a manutenção da temperatura corporal e o abastecimento das células – diminuição do volume sanguíneo e aumento da viscosidade sanguínea que dificulta a irrigação, em especial nas extremidades. Com isso, as células podem deixar de receber o oxigênio e nutrientes necessários, o que facilita o surgimento de congelamentos.

Mas como prevenir tudo isso: Adaptação Ambiental.

O ser humano tem uma forte capacidade de adaptação a novos ambientes – daí, por exemplo, o aumento automático de hemoglobinas no sangue nas grandes altitudes. Mas não podemos deixar tudo nas mãos de nosso organismo, temos que dar uma “força” para ele através de uma preparação adequada e bem planejada, que envolve desde a alimentação à pratica de exercícios aeróbios que estimulam a função dos sistemas cardiorrespiratório e vascular. Agora vamos finalmente falar desta preparação.

Como é sabido, cada ser humano é único e, portanto, para cada um deve haver um planejamento diferenciado e específico (daí a importância do acompanhamento de um profissional da área – como foi nosso caso com a ajuda da @carolemboava), mas vamos descrever um programa de treinamento baseado em corridas (adaptável) de quatro semanas que engloba, de maneira bem ampla, o mais variado número de pessoas.

Importante: Lembrando que antes e depois de qualquer atividade física é necessário fazer um bom alongamento.

1ª e 2ª Semanas

Dias

Sessões de Treino

SEG

30′ Corrida Leve¹

TER

Descanso

QUA

30′ Corrida Leve¹

QUI

Descanso

SEX

30′ a 40′ Corrida Leve¹

SAB

Descanso

DOM

Descanso

3ª Semana

Dias

Sessões de Treino

SEG

30′ a 40’ Corrida Leve¹

TER

Descanso

QUA

30′ a 40’ Corrida Leve¹

QUI

Descanso

SEX

30′ a 40’ Corrida Leve¹

SAB

60′ a 120′ Marcha²

DOM

Descanso

4ª Semana

Dias

Sessão de Treino

SEG

40′ a 50′ Corrida Leve¹

TER

40′ Corrida Leve¹

QUA

60′ a 120′ Marcha²

QUI

Descanso

SEX

60′ a 120′ Marcha²

SAB

40′ Corrida Leve¹

DOM

Descanso

Corrida Leve¹ – Com ou sem inclinação leve e freqüência cardíaca de 160 a 170bpm.
Marcha² – Com carga adicional (mochila) e inclinação leve a moderada e freqüência cardíaca de 130 a 140bpm.

Enfim, com disse, este é apenas um exemplo de preparação e o melhor é que, graças ao seu nível tranquilo, pode facilmente tornar-se uma boa rotina. Que tal?

É isso aí. Em breve o post desta tão aguardada semana no Parque Nacional do Caparaó.

Grandes aventuras à todos!

@jeffsupertramp

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