De 11 a 17 de Julho faremos o ataque (entre outras aventuras) aos Picos da Bandeira, do Calçado e do Cristal no Parque Nacional do Caparaó (localizado na divisa entre os estados do Espírito Santo e Minas Gerais) e, por isso, decidimos fazer este primeiro post sobre informações úteis sobre a Preparação e Treinamento para enfrentar a altitude que, neste caso, chega a 2.891,98m.
Primeiro vamos compreender um pouco mais sobre os efeitos da altitude.
Acima dos 2.000 metros nosso organismo começa a sentir as conseqüências da diminuição da pressão barométrica – principalmente sobre o sistema respiratório – e isso ocorre porque quanto maior for a altitude menor será a quantidade de moléculas disponíveis de oxigênio – o chamado ar rarefeito – que, além do sensível desconforto físico, acarreta também algumas alterações importantes no ambiente como queda de temperatura e de umidade e aumento da radiação solar (daí os freqüentes acidentes com queimaduras solares em alta montanha).
Logo, podemos relacionar aqui dois fatores que comprometem a integridade física dos que se aventuram nas alturas: No caso da temperatura, o nosso organismo tem de gerir o fluxo sanguíneo de forma a conseguir levar sangue a todas as regiões do corpo, mantendo o calor e ao mesmo tempo o trabalho muscular e, a diminuição da umidade do ar agrava essa situação porque provoca um aumento da desidratação que dificulta ainda mais a manutenção da temperatura corporal e o abastecimento das células – diminuição do volume sanguíneo e aumento da viscosidade sanguínea que dificulta a irrigação, em especial nas extremidades. Com isso, as células podem deixar de receber o oxigênio e nutrientes necessários, o que facilita o surgimento de congelamentos.
Mas como prevenir tudo isso: Adaptação Ambiental.
O ser humano tem uma forte capacidade de adaptação a novos ambientes – daí, por exemplo, o aumento automático de hemoglobinas no sangue nas grandes altitudes. Mas não podemos deixar tudo nas mãos de nosso organismo, temos que dar uma “força” para ele através de uma preparação adequada e bem planejada, que envolve desde a alimentação à pratica de exercícios aeróbios que estimulam a função dos sistemas cardiorrespiratório e vascular. Agora vamos finalmente falar desta preparação.
Como é sabido, cada ser humano é único e, portanto, para cada um deve haver um planejamento diferenciado e específico (daí a importância do acompanhamento de um profissional da área – como foi nosso caso com a ajuda da @carolemboava), mas vamos descrever um programa de treinamento baseado em corridas (adaptável) de quatro semanas que engloba, de maneira bem ampla, o mais variado número de pessoas.
Importante: Lembrando que antes e depois de qualquer atividade física é necessário fazer um bom alongamento.
1ª e 2ª Semanas
|
Dias |
Sessões de Treino |
|
SEG |
30′ Corrida Leve¹ |
|
TER |
Descanso |
|
QUA |
30′ Corrida Leve¹ |
|
QUI |
Descanso |
|
SEX |
30′ a 40′ Corrida Leve¹ |
|
SAB |
Descanso |
|
DOM |
Descanso |
3ª Semana
|
Dias |
Sessões de Treino |
|
SEG |
30′ a 40’ Corrida Leve¹ |
|
TER |
Descanso |
|
QUA |
30′ a 40’ Corrida Leve¹ |
|
QUI |
Descanso |
|
SEX |
30′ a 40’ Corrida Leve¹ |
|
SAB |
60′ a 120′ Marcha² |
|
DOM |
Descanso |
4ª Semana
|
Dias |
Sessão de Treino |
|
SEG |
40′ a 50′ Corrida Leve¹ |
|
TER |
40′ Corrida Leve¹ |
|
QUA |
60′ a 120′ Marcha² |
|
QUI |
Descanso |
|
SEX |
60′ a 120′ Marcha² |
|
SAB |
40′ Corrida Leve¹ |
|
DOM |
Descanso |
Corrida Leve¹ – Com ou sem inclinação leve e freqüência cardíaca de 160 a 170bpm.
Marcha² – Com carga adicional (mochila) e inclinação leve a moderada e freqüência cardíaca de 130 a 140bpm.
Enfim, com disse, este é apenas um exemplo de preparação e o melhor é que, graças ao seu nível tranquilo, pode facilmente tornar-se uma boa rotina. Que tal?
É isso aí. Em breve o post desta tão aguardada semana no Parque Nacional do Caparaó.
Grandes aventuras à todos!

2 Comentários
Estou ansiosa para ver seus comentários sobre o Parque Nacional do Caparaó. É praticamente meu quintal e vou lá pelo menos uma vez ao ano. O pico do tesouro é vulgarmente conhecido como Pico dos Cabritos (vc deve ter visto uma placa lá), ele tem acesso pela comunidade do São João do Principe (Rota Imperial) com direito a uma variadade de cachoeiras, canervas e um semiterio de jesuitas.Aguardo o post. Grande abraço.
Olá Nathalia.
Então, ficamos uma semana no Parque e o post já está no forno rsrs.
Mas já adianto uma coisa, vc tem razão… lá é fantástico!
Abção!